24-06 2015

Aos olhos da natureza

por Cris Lavratti

Crônica para o Portal Eu Tenho Visto

Para germinar, a planta precisa de adubo, de uma terra boa e fértil. Algumas precisam de mais água, outras, de quase nenhuma. Umas, gostam de luz, já outras, se acomodam na sombra. Cada uma a seu jeito, a sua maneira. Assim como os animais e nós, os seres humanos.

A terra boa e fértil, pode ser uma família unida e aqueles amigos que também são como uma família, que mesmo com as brigas comuns à maioria, permanece leal, feliz e porto seguro. Como é bom estar perto de pessoas que nos querem bem, sem tirar nenhum proveito de quaisquer situação, pessoas dispostas, assim como nós, a estender a mão, o ombro, o colo. Pessoas na mesma sintonia.

O adubo, pode ser tudo aquilo de que nos alimentamos, nossos sentimentos mais profundos. São escolhas nossas. O meio nos dá as fontes, absorvemos se queremos. Simples assim. As plantas sabem até,  transformar esterco em coisa boa. Será que a gente consegue? Uns sim, outros não. Mas é difícil mesmo, precisamos de persistência, para que isso se torne um hábito, para que naturalmente ajamos assim. Conseguir enxergar o lado bom, por trás de qualquer pessoa ou situação, já é um começo. Tem que exercitar.

Água, todos precisamos, ao pé da letra. Porém, aqui não estamos seguindo à risca todos os meios de sobrevivência de uma planta, estamos fazendo uma analogia. Bem, as águas, podem ser as nossas crenças mais secretas. Pode ser uma religião, uma filosofia de vida ou até a falta dela, por um longo período. A água faz a leitura da natureza que nos envolve, nos doa e absorve. Uns necessitam e por necessitar, banham-se diariamente. Já outros, a bebem, pois acreditam que a nascente traz a paz interior, alguns carregam consigo a bica e distribuem aos demais, pois têm em abundância, alguns  aceitam, outros, preferem perecer. E cada um, merece nosso total respeito.

A luz e a sombra, podem ser as faces da mesma moeda. Podem ser o dia e noite, as estações, os ciclos, os anos de vida. Podem ser onde escolhemos estar, se escondidos ou não, se no descanso ou na labuta, se na sombra ou na luz, propriamente dita.

O que fica são as equivalências. A vida é perfeita, redondinha e plena. Conseguimos transitar pelos reinos e com eles aprender as essências. Uns conseguem, outros não tem tempo. Só que o que eles não sabem, é que o próprio tempo é que vai mudar tudo isso. Pois, o tempo, afinal, é vitorioso.

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