22-04 2015

Dolce far niente

por Cris Lavratti

Crônica publicada em abril/2011

Neste final de semana me esbaldei assistindo Comer, Rezar e Amar! Confesso que estava em dúvida, as opiniões em relação ao filme estavam divididas e eu não havia lido o livro, que na maioria das vezes é muito melhor que o filme e muito mais rico nos detalhes, mas não me frustrei nem um pouquinho. Simplesmente adorei.

O livro é baseado numa história real vivida pela autora, Elisabeth Gilbert, que no filme é representada pela atriz Julia Roberts. Após algumas decepções amorosas, ela resolve fazer uma jornada em busca de si mesma. A história é tão sensacional que deveria ser decretada uma lei, lavrada em cartório e, como diria Vinicius de Moraes, assinada por Deus, em que todo ser humano, ao completar 30 anos, pudesse dispor de um ano viajando pelo mundo, com um único objetivo: AUTOCONHECIMENTO!

Quem sabe algum deputado não se compadece da situação e nos ajuda aprovar essa lei? Tenho certeza de que os índices de suicídio, homicídio e divórcio iriam despencar drasticamente.

Mas enquanto esperamos que alguém se habilite, vamos voltar ao filme e à mensagem: autoconhecimento. Talvez por isso eu tenha gostado tanto, estou em busca das minhas verdades, estou em busca de mim mesma.

Costumamos ser enigmáticos, não nos contentamos com pouco, tudo deve ser intenso, até o equilíbrio, especialmente para as mulheres. Com certeza existem algumas que não se enquadram nesse perfil, mas 90% das que eu conheço se rendem a essa magnitude, e os hormônios assinam embaixo.

Relacionamentos mornos não nos servem, muito menos por ocasião. Medo de ficar só? Nem pensar. Ele só existe quando não gostamos da nossa companhia. Mas para chegar a esse ponto, nada como expandir os horizontes. Cada país em que a Lis passou a ensinou a viver e conviver com consigo própria, e nós embarcamos juntos para captar um pouco daquilo que ela aprendeu.

Na Itália, veio o verdadeiro prazer. Comer, beber, falar com gestos, intensificar sentimentos, rir, chorar, deliciar-se consigo mesma e com as amenidades do dia a dia, aprender a ser, simplesmente.  Na Índia, foi a vez de exercitar a paciência, ser menos rígida, entender as escolhas que fez na vida e deixar de se culpar para conseguir ir em frente. Depois, em Bali, a verdadeira libertação, na prática de tudo aquilo que havia aprendido em cada país que passou e assim alcançar o “centro da balança” e principalmente entender que, às vezes, perder o equilíbrio por amor é parte de uma vida equilibrada!

É! Filmes e livros são ótimos companheiros, pois, com suas histórias, nos trazem outros ares, outro ânimo, e são capazes de operar verdadeiros milagres! O filme está superindicado! Mas eu não desisti da lei, que tal um abaixo-assinado?

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