04-01 2016

Eu tenho visto

por Cris Lavratti

Nesta semana entre Natal e Ano Novo, tirei uma folga na praia e já que estou no oitavo mês de gravidez e não é aconselhável ficar muito exposta ao sol, mergulhei fundo em livros, filmes e seriados. Ou seja, uma combinação e tanto para relaxar, antes da labuta que me espera!

Em meio a este momento, um filme europeu me chamou a atenção, mais precisamente um inglês, que tem no elenco o ator Bill Nighy, que eu adoro.

O título em inglês é About Time, em português, Questão de Tempo. Ele conta a história de uma linhagem de homens de uma família que têm o poder de viajar no tempo. Detalhe, eles só podem viajar para o passado, para situações que já viveram de alguma forma. Pensei comigo, no fim das contas, não é o passado que determina o futuro? Sinopse boa e de alguma forma, realista. Gostei e fui assistir.

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A bandeira do filme é o amor.

O protagonista Tim, interpretado por Domhnall Gleeson, faz de tudo para conquistar a mulher de sua vida. Mas antes de encontrá-la, logo que se torna conhecedor de sua condição, vem a primeira lição: quando não é pra ser, podemos tentar de tudo que simplesmente as coisas não darão certo. Portanto, aquelas pulguinhas atrás da orelha, do tipo “ah, e se eu tivesse feito diferente como seria?”, não precisam existir e muito menos nos martirizar. Entendeu, cara pálida?

Em compensação, quando é pra ser, o universo todo conspira! É lindo de ver. Tem coisas que precisamos passar, que nos ajudam a amadurecer e não ter o controle de tudo e muito menos do tempo, é uma dádiva, pois quem tenta controlar o tempo, pode se perder na curva, afinal a vida segue.

Para mim a grande lição do filme, está no desfecho, quando o pai conta ao filho a sua formula secreta de felicidade, ele tinha um plano. A primeira parte era continuar a vida simples, que levava, vivendo dia após dia como todo mundo. A segunda parte, era viver os mesmos dias de novo, quase do mesmo jeito. Na primeira com as tensões que nos impedem de ver as graças do mundo e na segunda, vendo.

A cena final é primorosa e ilustra lindamente este plano, esta formula secreta de felicidade e além de tudo, caiu como uma luva para esta época do ano, de tantas reflexões. De fins e recomeços.

Nos despedimos de 2015 para abraçarmos o novo ano. 2016, regido pelo sol, vem com um gostinho de “volta pra casa”, mas para nossa casa, para nós mesmos, para nossa essência. Neste ano, com mais consciência do todo, depois de tantos altos e baixos coletivos, podemos optar com convicção pela segunda parte do plano. Que possamos viver o mundo, sem tensões, vendo todo o encantamento. Nos libertando do ego, do papel de vítima e trazendo de fato, a leveza para embalar nossos dias.

Que teu 2016 seja pleno! Segue o plano!

Crônica para o portal Eu Tenho Visto

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