26-04 2015

Labirinto em mim

por Cris Lavratti

Crônica publicada em julho/2014

Um vazio sem igual tomou conta de mim. Estou pairando entre um espaço de tempo e outro, sem achar o meu lugar. Me pergunto, qual o valor do tempo afinal, e abro o livro de Mitch Albom, O Guardião do Tempo, nele, percebo que o personagem fictício Dhor, que criou o tempo, que começou a contar os dias, as horas, os meses e os anos, estava tão aficcionado por aquilo que acabou deixando de viver tantos momentos felizes, momentos de se perder em um abraço, momentos de se perder em sorrisos e até em lágrimas, que quando se deu conta de sua imortalidade, acabou sozinho ouvindo os lamentos de toda a humanidade, que perdida neste mesmo espaço que me encontro, pedia mais tempo, pedia para o tempo correr, ou para que andasse devagar, pedia estarrecida pelo tempo que não ia chegar e pelo tempo que já passou e esquecia o tempo que está acontecendo agora, neste momento.

Eu estou exatamente que nem todas essas pessoas. Por mais que eu saiba que devo olhar para o agora, uma angústia pungente bate em meu peito e não consigo encontrar as respostas mais simples, aquelas que vivem dentro de mim. Não estou conseguindo fazer a conexão, estou perdida no tempo, sem ter para onde ir. Sinto que preciso tomar uma decisão, mas para isso preciso estar conectada comigo mesma, mas meus anseios, minhas dúvidas e atė mesmo o meu ego não me deixam agir.

Depois de dois meses sem conseguir sequer ler algumas linhas, mergulhei em dois livros neste final de semana. Mergulhei, já estou acabando os dois. Estou faminta por respostas e escolhi livros que falam de vida, de tempo, de libertação, para me acompanhar neste final de semana. Parecia que eu sabia o que me esperava quando fiz a mala e viajei para uma praia linda, uma pequena amostra daquilo que considero o paraíso na terra. Aqui, imersa no silencio do mar, na beleza do nascer e pôr do sol, tento me encontrar, ainda sem êxito. É como se eu estivesse esperando um momento crucial, como se eu tivesse me despedindo de mim, como se eu tivesse que amadurecer, como se eu tivesse que me transformar, achar um caminho, em meio ao labirinto que estou vivendo.

Acredito que só o amor e a fé são capazes de me trazer a paz que procuro, a paz que não encontro em mim. Repito para mim mesma, sou tranquila, sou tranquila, como crença possibilitadora, para me trazer ao menos um pouco de sossego, mas nada funciona, parece que briguei feio comigo. Já me senti inúmeras vezes perdida, mas como agora, não consigo lembrar. Porque agora dói e é um doer sem saber, um doer que eu não sei de onde vem e que não quer ir embora. Deus me ajude, minha cabeça está confusa, minhas lágrimas brotam sem pedir licença, minha vida está acontecendo e eu estou perdida simplesmente, perdida em minhas ansiedades, minhas angústias, meus anjos e demônios. Que Deus me ajude!

Olho para o céu e percebo as estrelas, todos aqueles caminhos, todos aqueles pontinhos de luz que tomam forma perante meus olhos, toda aquela beleza me acalma de certa forma, peço as estrelas que me tragam alguma resposta. Fecho meus olhos e adormeço com os cílios ainda úmidos e espero que ao amanhecer, o sol me traga a luz que tanto procuro.

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