24-10 2017

Machismo, não te quero

por Cris Lavratti

Semana passada, estava em Porto Alegre e peguei um UBER, para me deslocar de uma reunião até o shopping, precisava comprar uma mochila pro meu filhote, uma do tamanho dele.

Quando dei por conta, quem aceitou minha corrida, foi a Renata. Achei o máximo ser uma mulher, confesso, me senti até melhor. Nada contra os motoristas homens do UBER, nunca tive problemas, de taxi sim.

Quando entrei no carro da Renata, contei pra ela da minha felicidade de estar sendo conduzida por uma mulher. Pois, em pleno século XXI, o machismo e o preconceito imperam e em doses bem grandes, nada sutis.

Começamos a conversar e ela me contou que por ser mulher, já passou por algumas. Na sua primeira corrida, o passageiro que entrou no carro, olhou e perguntou se ela sabia dirigir. Cá entre nós, isso não aconteceria se fosse um homem no volante.

Esse papo de que mulher não sabe dirigir é indigesto. Inacreditável que ainda role esse tipo de piadinha. Totalmente sem graça. Mesmo com muitas pesquisas mostrando o contrário, o que é comprovado inclusive pelas empresas seguradoras, que dão descontos caso o carro pertença a uma mulher. O que também não me parece correto, pois se lutamos por igualdade, deveríamos pagar o mesmo valor, sem restrições. Pelo menos, no que diz respeito ao sexo. Agora, em relação a idade e o histórico de cada um, okay.

Mais adiante, na conversa, Renata comentou que ao buscar uma garota de programa em um motel, ouviu mais uma história daquelas, dessa vez, de assédio.

A garota, já acostumada a chamar UBER para trabalhar, mal entra no carro e o motorista sai logo indagando se ela era garota de programa. Primeiro ponto fora, ele não tem nada a ver com isso. O trabalho dele é conduzi-la até o destino, ser cordial e pronto.

Ela questionou o porque queria saber e a resposta? Que se fosse, pediria para que levantasse a saia. Ela, arrematou: vai pagar quanto?

As pessoas realmente perderam a noção do significado da palavra respeito, não importa raça, renda e opção sexual. Tenho certeza que se todos zelassem pelo bem do outro, não precisaríamos de tantas regras e nem de aplicativos só para mulheres, que entram em vigor aqui no estado em agosto. Pois, convenhamos, se existe a demanda é porque sentimos urgentemente a necessidade de segurança. Até lá, vamos torcer e fazer a diferença para que as coisas melhorem, porque a realidade, continua ruim de aceitar.

Crônica publicada no portal Negócio Feminino

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