08-09 2015

O Brasil tem jeito

por Cris Lavratti

Crônica publicada no portal Eu Tenho Visto

A vida é realmente mutante. Sonhos mudam. Percepções mudam. Objetivos mudam. Nascemos com uma capacidade incrível de nos adaptar. E isso é o que torna a vida ainda mais esplêndida. Em tempos de crise, vemos de tudo. De um lado, os que acreditam no país e querem lutar para que o Brasil entre nos eixos. Do outro, os que já sem fôlego – o que é compreensível – fazem planos de partir para um lugar melhor, onde se sintam ao menos seguros.

E nesse movimento todo, ouvi uma frase da minha cunhada que fez todo o sentido. Ela foi para um congresso nos EUA e Canadá. Antes de partir, nutria pensamentos de ir se embora, desacreditada. Mas a quinze dias fora de casa, a saudade começou a bater e além dela, uma outra situação a fez acordar e mudar sua percepção acerca do nosso país e das escolhas que traçamos.

A morte do menino Aylan, que tocou corações no mundo todo, a fez enxergar que nossa terra ainda tem potencial, que nossa gente é mais flexível às diferenças e que as guerras que aqui travamos, são de cunho político e econômico. Os fanatismos religiosos, aqui, não se criam. Vivemos, de certo modo, em harmonia. Sejam judeus, evangélicos, católicos, presbiterianos, anglicanos, umbandistas, africanos, budistas e tantos outros. Aqui, temos fanatismos políticos, mas que não ganham força. Nosso território é extenso, o que dificulta este processo. Somos muitos, com ideologias diversas. Vamos às ruas para lutar por um país melhor, mas vamos com a bandeira da paz.

Por vezes, somos fracos. Oscilamos. Perdemos tempo. Demoramos em repetir a dose e as coisas esfriam. Têm os que se preocupam. Os que não estão nem aí e preferem assistir novelas. Os que acreditam que as coisas estão bem e os que recebem para acreditar nisso. Nos dividimos em causas furadas, idolatrias insensatas e falta de discernimento. Tudo o que enfraquece.

Por outro lado, somos fortes. Muitos com o poder de acreditar e transformar, contornando situações com firmeza e sabedoria. Dificultando o jogo da sujeira, com honestidade e integridade. Somos muitos de cara lavada, de cara pintada, que vestimos a camiseta da indignação e assumimos, com dinamismo, a ação em favor do Brasil, em favor de nós mesmos.

Já tive vontade de ir embora. Mas hoje, estou certa, de que não existe lugar como a nossa casa. Quero criar meu filho aqui, neste país lindo e vou lutar para que as coisas mudem, melhorem, transformem-se. Vou ensinar a ele, que devemos amar nossas raízes, mesmo tendo asas e ganhando o mundo. E que se aqui nascemos, com certeza, não é por acaso.

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