26-04 2015

O tempo, o vento, a coragem e os valores

por Cris Lavratti

Crônica publicada em outubro/2013

“… o tempo passa, mas a terra permanece…”

O filme originado a partir da obra clássica do nosso querido Érico Veríssimo e lançado no Rio Grande do Sul, dia 20 de setembro, data da Revolução Farroupilha, com estreia nacional na última sexta-feira, trouxe na bagagem o verdadeiro significado do Tempo e do Vento.

Saí do cinema, saciada. Desde a primeira cena, alguma coisa aconteceu, não sei explicar, muito além da fotografia e da belíssima atuação dos atores, os valores mexeram comigo. A identificação foi instantânea.

A história das gerações da família dos Terra Cambará contada por Bibiana, interpretada pela nossa grande atriz, patrimônio do Brasil, Fernanda Montenegro, é uma linda e comovente história de amor, de recomeços, de resignação, de lágrimas, vitórias e principalmente, valores.

Desculpem-me àqueles que discordam da minha opinião, mas não dá para se apegar a sotaques, o filme consegue nos elevar a outros patamares, o que são afinal os sotaques? Como já aconteceu outras vezes, se alguns atores tivessem aderido ao “gauches”, também seriam postos à prova. O que deve permanecer é a mensagem que está muito além da forma de falar, ela permeia a consciência de cada um, as escolhas, as angústias e a história de um povo.

Percebi no filme que mulheres fortes escolhem amor, independente do que isso poderá acarretar. Elas sempre escolhem o amor. E esse amor é destinado a homens fortes, íntegros e convictos. Seria o destino? Acho que sim, atraímos aquilo que somos, pois nessa vida as coincidências não são obra do acaso. Elas acontecem porque têm que acontecer.

Pude ver também que homens admiráveis, vacilam, afinal somos todos humanos.  Mas eles não vacilam no caráter, nos valores e sim, por não suportar algumas condições que fogem ao ideal de liberdade. Capitão Rodrigo foi um homem admirável.

Por falar em liberdade, complemento aqui, que mulheres fortes também primam e lutam por ela, a liberdade. Talvez por isso, a identificação e a sintonia aconteçam de forma tão sublime entre os personagens da história.

O filme é redondinho, desceu como um bom vinho. Alimentou minha alma que estava um tanto desacreditada nas pessoas e no rumo do meu país. Deixei de lado a vontade de fazer as malas e ir embora. Olhei para o lado, vi o meu Capitão Rodrigo, o beijei na boca e tive a certeza de que o amor é capaz de transformar o mundo, basta acreditar. “O Tempo e o Vento” me fez acreditar de novo, quero deixar aqui o meu agradecimento.

Obrigada Érico, Letícia e Tabajara, Obrigada Jayme. Obrigada a todos os atores, em especial à Cléo, Marjorie, Fernanda e Thiago. Muito obrigada!

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