26-04 2015

Para encontrar a paz

por Cris Lavratti

Para mergulhar é preciso encontrar profundidade. No amor, o mergulho jamais poderá ser solitário. Caso contrário, permaneceremos na borda, pairando no tempo que gostaríamos de viver, na ilusão de momentos que pulsam somente nos pensamentos.

Se por acaso arriscarmos o dispare, é o nosso mundo que pode cair, desabar. Zack Magiezi escreveu: “Chovi amor em pessoas que preferem telhados”. Não saímos ilesos dessa experiência. Mas são esses acúmulos que nos fortalecem no aprendizado, que cedem rumo e novas lentes à olhos cansados.

O triste também é belo. O sábio precisou trilhar um longo caminho. O caminhante de sua própria história é isento de bagagens. Com peso excessivo torna-se impossível o continuar. Com peso excessivo, acabamos ancorados em nossos próprios medos.

Caminhar não significa dar a volta ao mundo, mas dar a volta no nosso mundo. Conhecer cada parte daquilo que somos, aceitando nossas forças e fraquezas. Saber do que somos capazes, apreciar nossas asas e valorizar nossas raízes, afinal, não são elas que aprisionam nossas asas e, sim, nossa ignorância.

A solitude abre espaço para um convívio repleto de tudo que traz energia, impetuosa, viva, grandiosa. É no bem viver interior que o de fora se estabelece. O outro passa a ser um amigo. Livramo-nos das culpas de ser aceito ou não. Trazemos a paz para nossos dias e nos ligamos a profundidade de nosso eu para encontrar, enfim, a profundidade do outro. Sem receios, entremeios ou fobias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *