Quando me tornei mãe me dei conta de algumas coisas acerca do tal amor que dizem ser incondicional. No dicionário incondicional significa que não há restrições, não esta sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado.

Então tá, tudo certo?! Mas será que todo o amor de mãe é incondicional? Ou somos meio egoístas mesmo? Sei que vou tocar em algumas feridas, o que é extremamente necessário para essa liberação do ego, que tanto nos puxa pra baixo.

Vou começar pela amamentação que é um ato sim, de total abnegação. Meu pitoco tem quase 6 meses de vida e posso dizer que aqui a regra das 3 horas não funcionam. Ele mama às vezes em espaços maiores que 3 horas e às vezes em espaços menores. Então a livre demanda se aplica incondicionalmente. Se por acaso não posso estar com ele, tiro leite, armazeno e pronto. Não deixo ele na mão.

Até aí tudo bem.

Mas, ao longo dos dias, dos meses, com todas as demandas que uma criança necessita, as demais interrogações que permeiam o incondicional começam a bater forte. Muitas mães acreditam que abrir mão de si em prol do filho condiz com o tal amor incondicional, a meu ver isso é mais uma bengala, uma desculpa, (salvo os casos de crianças doentes e que necessitam integralmente dos pais por perto) porque os filhos crescem, isso é fato. E aí, como fica? Essa mãe vai passar a vida toda cobrando do filho que fez tudo por ele e não o deixando voar? Seguir seu rumo?

Incondicional a meu ver é abrir mão do ego, não de si. Abrir mão das nossas próprias travas, que estão incrustadas desde muitas gerações e tão profundas, que nem nos damos conta que as repetimos. E quando percebemos, acabamos repetindo igual, porque são raízes difíceis de ser arrancadas.

Para deixar claro, acredito ser maravilhoso para um filho e para uma mãe, que ela realmente passe os primeiros anos de vida bem perto dele, principalmente se a família tiver condições para isso (o que não significa esquecer-se dela enquanto mulher). E nesse tempo, que ela estimule na criança o quanto ela é especial. Pois é exatamente nesse tempo, onde a autoestima está sendo construída, que a criança precisa saber que é amada pelos pais, pelos avós, pelos tios, pelos primos. por todos que a rodeiam.

Destruir a autoestima de uma criança é fácil, mas cuidar do espaço dela e fazê-la se sentir especial, sem passar por cima de tudo aquilo que pode não ser importante pra gente, mas é para ela, pode ser bem difícil.

Na maioria das famílias essa fórmula é desconhecida e precisamos, nesse caso, abrir mão sim, mas das nossas âncoras e reformular pedaços da nossa história, para ajudar a construir um ambiente de amor para esse ser que está começando a vida. Saber orientar, impor limites e regras é tarefa árdua, precisamos nos empenhar para fazer as coisas do jeito certo, não podemos esquecer que já fomos crianças.

Chamar a atenção em público, sem respeitar o tempo da criança. Dizer frases batidas, como: “Que feio isso que tu fez”; “Tu só faz bobagens”; “Nada que tu faz dá certo”; “Tu não consegue, deixa que eu faço”; “Deixa de ser besta”; “Como tu é chato”; “Olha que tu tá fazendo comigo”; “Empresta teu brinquedo pro teu irmão, ele é menor que tu”… E tantas outras, é andar na contramão. Até mesmo responder pelos filhos, sem deixar que eles tenham voz perante os outros, afinal, nós pais e mães sabemos tudo, não é mesmo?

Só que com o tempo, realmente, a criança vai achar que não consegue, que não tem capacidade, que nada dá certo para ela e vai se tornar um adulto com uma série de problemas. Sem confiança em si e nas suas qualidades, achando que o destino dela não é lutar pelos sonhos e sim, viver numa caixa, uma vida medíocre, dia após dia, sem acreditar no amanhã.

Então, muito cuidado com tudo aquilo que plantamos, pois não adianta plantar ervas daninhas e esperar colher girassóis. Se elas são a força motriz para mudar o mundo, nós somos as engrenagens que precisam de óleo urgente, para fazer com que essa força ganhe prumo, velocidade e tempo.

Nota do autor: Tudo aquilo que escrevo é para organizar minhas próprias ideias acerca da minha relação com meu filho e tudo que observo acontecer ao meu redor, com anotações sobre a minha própria história.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *