25-11 2015

Taxi!?

por Cris Lavratti

Nesses meus “vai e vem” entre Caxias do Sul, na serra gaúcha, e Porto Alegre muitas coisas acontecem. Já vencendo a casa dos sete meses de gravidez, resolvemos, eu e meu marido, que as viagens agora seriam de ônibus, muito mais seguro e tranquilo para a mamãe aqui. E claro, muito inspirador também.

Com isso acabo usando taxi nas duas cidades e as peculiaridades se apresentam. Em Porto Alegre, quando entramos num taxi ou pegamos uma carona, costumamos dar o endereço e o dito cujo do motorista nos leva até o destino, sem rodeios. É papo reto. Às vezes falamos algo que tem perto, mas quase nunca. Comigo pelo menos sempre foi assim. Até quando chamo taxi pelo aplicativo no telefone, não costumo colocar referência.

Já em Caxias do Sul, a coisa é diferente. As pessoas conhecem os lugares que figuram nas ruas e muito pouco sabem sobre o nome delas. Com os taxistas muda, mas não muito. No geral, quando pedimos informação ou uma carona, é tiro e queda. O nome da rua mal ajuda. Agora, se explicamos que fica passando a loja tal, na esquina com a fábrica X, fazendo o retorno três quadras após a padaria Y. Pronto, chegamos ao destino.

Eu e meu marido, que é natural de Caxias, costumamos brincar que para entender onde ficam os lugares é necessário, antes de tudo, residir na cidade por pelo menos uns cinco anos. Aí sim, a vida segue.

Eu que estou a dois, já começo a engatinhar nessa onda, só que somente no entorno onde moro. Nos bairros afastados, nãnãninãnão! Em outros casos, quando estou dirigindo meu carro, recorro ao Waze, só ele salva. Porém, fica a torcida para que não me conduza a um beco qualquer. Piadas a parte, já constatamos que seus caminhos podem ser perigosos.

Por outro lado, o bom de pegar um taxi são as conversas que se desenrolam com os motoristas. É raro fazer uma corrida em silêncio. As pessoas estão cada vez mais precisando de um dedo de prosa, de uma opinião, de um contato pessoal. Será a tal da carência?

Esses dias, peguei dois taxis, daqueles, em São Paulo. Um dos senhores, chegou a colocar as mensagens de voz do grupo do condomínio dele, no whastapp, para eu ouvir. Ele é síndico e paga um dobrado com a vizinhança. A corrida durou uma hora e nessa uma hora, dissertamos sobre o que ele poderia fazer com os fatos. Coincidências a parte, tenho um grupo no meu whatsapp que chama “Amigas do Condomínio”, do meu prédio em Caxias. No meio do bate-papo com o taxista, recebo a mensagem da nossa síndica, contando do síndico que foi assassinado em São Paulo naquele dia, por um morador nada satisfeito. Cruz Credo!

O outro taxista chorou as mágoas. Conheceu uma mulher pela internet, que era de outro estado e levou ela para morar na casa dele. Se apaixonou, o coitado. Sem conhecer nada da vida da moça. Resultado: está louco para manda-la de volta e não sabe como. Ele disse que ela não lava nem uma louça. Passa o dia de pernas pro ar, sem fazer nada.

É meu amigo! Isso que dá mergulhar no escuro. A vida que figura nas redes sociais nem sempre é a vida real. Ele já deveria saber disso. Ou não?

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