A valentia da ternura

Crônica publicada em setembro/2013

Vivendo intensamente “Mil Dias em Veneza”, de Marlena de Blasi, uma linda e verídica história de amor, vivida pela autora, me deparei com uma frase um tanto significativa: “Não existe neste mundo uma agonia capaz de ser mais forte do que a ternura.”

Ao lê-la, no final do capítulo sete do livro, parei, simplesmente parei. E ela ficou martelando na minha cabeça. Decidi que naquela noite, eu iria dormir com esta frase. Afinal, a agonia, bem como a ansiedade é companheira diária de muitos de nós que estamos imersos na condição do tempo que criamos, mas nem uma e nem a outra são capazes de ser mais forte do que a ternura.

Esta frase contempla um despertar e nos orienta em momentos de todo o tipo. Mas além do todo, ela é perfeita para compor e acalmar, num dos dias mais importantes da vida de um casal. O dia do SIM, o dia em que contamos ao mundo sobre o nosso amor, o dia do casamento.

Os preparativos, a lista de convidados, a decoração, o bolo, as lembrancinhas, a música dos noivos, o serviço, o vestido, o bouquet, tudo faz parte do cenário principal, onde o casal troca as alianças, olho no olho e aceita um ao outro para viver uma nova vida, para dividir uma nova vida.

A ansiedade que precede esta celebração do amor não é capaz de ser mais forte do que a ternura, do que o próprio amor, que envolve o noivo e a noiva. Não é mais forte que o carinho e a relação construída e que foi capaz de leva-los até aquele momento mágico, até o altar.

Não vou me deter no depois e nem do momento em si e sim, vou me aprofundar no que antecede o Grande Dia, pois o nervosismo “contagia” até os noivos mais calmos.

A primeira decisão importante é a data que irá marcar para sempre a vida do casal e que será celebrada por todos os outros anos. Uns apelam para a numerologia, a astrologia, a mãe de santo e até o budismo. Outros simplesmente se focam na data disponível na igreja, na casa de festas ou no clube que pretendem casar. Há ainda, àqueles que optam por uma cerimônia íntima, em casa, com amigos e familiares mais próximos. Mas nenhum deles escapa do nervosismo.

Logo, fica evidente, que não é o estilo dos noivos ou da cerimônia que vai determinar o quão nervoso, ansioso e até, agoniado, o casal fica antes de dizer o SIM, e, sim, é o próprio casamento. Claro, isso nada tem a ver com a certeza ou o tamanho do amor que se sente um pelo outro.

E como disse Marlena, em seu romance, “a ternura é mais forte”, é ela que segura, que dribla, que move, que acalenta. É ela que eleva, que traz clareza, que acaricia, que dá a certeza.

Ternura, palavra rara, valente e cheia de amor. O dicionário a define como: qualidade do que é terno, meiguice. Um substantivo feminino, doce, tenro, afetuoso, que faz deste momento um dos mais ÚNICOS de todos. Que faz deste momento, realmente especial.

Então, meus caros, podem ficar nervosos e até ansiosos, faz parte do show, mas nunca esqueçam do por quê vocês fizeram esta escolha, lembrem-se sempre do sentimento que os levou até ali e tenham a certeza, que o amor e a ternura, são a grande resposta neste Grande Dia. E aproveitem a festa!

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