22-04 2015

A vida transborda

por Cris Lavratti

Crônica publicada em março/2013

“A vida vem em ondas como o mar”. Ela vem e vai e vem de novo. Numa constante, com cadência, sem cadência, com amores, romances, rompimentos, oportunidades, reconciliações, maré cheia, maré alta.

A vida transborda, alaga e seca de novo. Um momento compensa o outro. Nem tão ao céu, nem tão à terra. Vacas gordas, vacas magras, um rebanho inteiro. Em que momento nos perdemos? E onde nos reencontramos?

O vazio habita por um tempo e de forma tão intensa, que nada parece capaz de nos salvar. Logo, as águas mudam a direção, e a inspiração acontece. Tão simples e singela, numa música, numa curva, num mergulho.

Transbordar habita. Mas cuidado para não transbordar mágoa e rancor. Lágrimas, tudo bem, elas esvaziam as tristezas e abrem espaço para um novo fôlego, um novo ponto de vista. São capazes de nos fazer seguir em frente.

Transbordar amor pode. Um sorriso, um abraço, o ouvir, umas palavras, um carinho que se faz com o olhar. Gratidão eterna que não falha e impulsiona, motiva e nos faz seguir em frente, mais confiantes, com mais coragem.

Aceitar a vida é um passo e tanto. Aceitar o que ela oferece, o que ela tira, o que ela apresenta, simplesmente é maturidade. Ver problema em tudo não resolve.

A indignação pode ser bem-vinda. A contemplação deve estar presente. Nem sempre vamos admirar todos ao nosso lado. Mas isso não significa que essas pessoas não tenham algo de bom. Apenas não são boas para nós. E nós, de repente, não somos bons para elas e para tantos outros.

“A vida vem em ondas como o mar.” E a natureza segue a nos ensinar a grande magia de tudo, com doses convincentes de realidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *