22-04 2015

Constatações de uma vida

por Cris Lavratti

Crônica publicada em janeiro/2012

Por algum motivo, paro e me pego pensando: será que estou fazendo a coisa certa? Será que estou fazendo a melhor escolha? Nunca terei total certeza dos caminhos, apenas me guio por aqueles que o coração diz serem os mais reais. Atirar-se de cabeça nas situações e de repente parar. Parar para avaliar, inventar métricas, somar o passado e multiplicar o futuro.

Nessa conta da vida, só teremos a certeza do resultado no final, na hora da morte. É fato que, em muitos momentos, as escolhas erradas se tornam evidentes, e vem aquela sensação de frustração, que arrebata e faz nossos olhos lacrimejarem. O choro corre solto, e com ele toda a angústia vai embora, e é hora de recomeçar.

Inventamos desculpas para nós mesmos, do tipo eu pelo menos tentei. Mas a vida não funciona bem assim, eu tentei, mas tinha opção de fazer diferente. Sempre temos escolha, e a vida sempre irá cobrar, mais cedo ou mais tarde. Tentar é válido, sim, mas quando insistimos em um mesmo tentar inúmeras vezes, tem algo errado conosco. Simplesmente sofremos da síndrome da burrice. Sim, porque repetir situações de sofrimento incessantemente com pessoas diferentes é uma grande burrice emocional.

E me perdoem os psicanalistas e suas linhas de tratamento. Mas se conseguimos enxergar os enganos em nossos pais e, após repetir uma ou duas vezes a mesma fórmula, continuamos nela, eu pergunto: cadê a racionalidade do ser humano? Eu sei que estou sendo “faca na bota”, às vezes costumo agir assim, principalmente quando me vejo cansada diante das minhas próprias burrices. Pois não pensem que comigo é diferente. Eu me adéquo a esse papel e quero urgentemente mudar.

Já obtive transformações, com certeza. Já melhorei muito como pessoa. Estou aprendendo a não carregar as dores do mundo nas minhas costas, afinal, cada um tem a sua cruz. O único que com toda a força do universo carregou os pecados do mundo foi Jesus, e quem sou eu para me equiparar a um espírito de primeira grandeza. Sou mero grão de areia na estrada da vida, tentando achar o caminho certo, tentando não arrecadar mais mazelas em minha bagagem.

Mas minhas mudanças mais internas não me fizeram ser menos intensa. Quando me apaixono, perco o chão. Até tento frear, mas não consigo por muito tempo. Meu coração bate tão forte, minhas pernas só querem correr para um lugar, minha boca fica seca e eu sei que eu preciso deixar o amor acontecer.

Eu vivo e revivo e supero e continuo e vivo novamente. Me sinto a pessoa mais feliz da face da Terra. Eu posso e devo me entregar, pois sei que não conseguirei ser menos que inteira. Mas devo ter cuidado, para não me sabotar mais uma vez. Porque finalmente eu quero viver um amor para a vida toda, quero que esse amor se renove com filhos e que seja cheio de verdade.

Chegou a hora da virada. A virada de página. Aquela página rabiscada vai dar lugar a um texto sem interrupções, um livro constante, sem precipícios, somente com pontes. Essa sou eu hoje, essa é quem eu escolhi ser. Esse é o caminho que resolvi seguir. Torço para ter feito a escolha certa, e se assim não for, um dia acharei o meu caminho.

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