Descobertas e borboletas

Conto publicado em novembro/2013

O lugar era imenso, imenso e vazio. O silêncio só era quebrado pelas batidas do meu coração. Mesmo no desconhecido, minha respiração se mantinha compassada, tranquila. Não conseguia pensar em nada, somente me deixava levar pela brisa morna que soprava naquele dia.

De repente me deparei com algumas árvores gigantes, com troncos enormes, olhei para o alto e as folhas estavam lá, quietas. Mais adiante algumas árvores floridas e outras com frutos e todas permaneciam quietas. Não entendi, já que a brisa soprava e as folhas se mexiam, onde estava o som? Por um segundo pensei ter perdido o sentido, mas meu coração me mantinha segura. Eu ainda era capaz de ouvi-lo.

Avistei um pequeno córrego, sentei e toquei meus pés naquela água límpida e gelada, senti uma conexão ímpar, fechei os olhos como em um impulso de prazer e me entreguei àquela sensação. A água corrente com pequenos peixinhos faziam cócegas entre os meus dedos.

Não senti vontade de abrir os olhos e fiquei assim por um bom tempo. Com a brisa, a água e os peixinhos. De olhos fechados, comecei a perceber uma grande mata verde, iluminada por um sol amarelo brilhante. Nessa mata, o clima era de harmonia e pureza. Pássaros voavam em busca de matéria prima para seus ninhos. Gaivotas, quero-queros, canarinhos e até urubus.

Borboletas de todas as cores desfilavam em meio às flores. Uma turma de beija-flor disputava o néctar das laranjeiras. Foi quando, como num passe de mágica, eu comecei a ouvir tudo, as folhas, a água, o canto dos pássaros e até a minha própria respiração.

Abri os olhos suavemente, aquela quietude tinha me levado para longe, para bem longe da vida real. Estava pairando, como as borboletas, dançando em meio ao céu azul e ao arco-íris das flores. Os sons eram como música para meus ouvidos. Uma sintonia perfeita.

Quando me conectei comigo mesma, com meu mundo interior, comecei a verdadeiramente perceber o mundo que transbordava do lado de fora. É isso! Para realmente ouvir o universo que pulsa, precisamos estar em silêncio, silêncio de pensamentos, de vontades e até de paranoias. Apenas silêncio. Como num ápice da meditação. Porque tudo nessa vida está interligado, não há efeito sem causa.

Foi então que me dei conta! E a borboleta pousou em minha mão.

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