05-10 2014

Eu tenho Lido: A Dama das Camélias

por Cris Lavratti

Dica publicada na minha coluna no portal Eu Tenho Visto

Escolher um livro para dividir com vocês não é tarefa fácil. Gosto de me empenhar para dar boas dicas, histórias que valham a pena passar adiante, com autores que possuam uma narrativa envolvente e emocionante. Quando um livro me emociona, eu compartilho.

Janeiro chegou, um novo ano está começando! Pensei cá comigo, que tal um clássico? Não tive dúvidas, meu escolhido foi “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho, filho bastardo de Alexandre Dumas, ninguém menos que o autor de “Os Três Mosqueteiros” e “ O Conde de Monte Cristo”. Bem se vê que a literatura está no sangue.

O livro foi lançado em 1848 e, ao que tudo indica, um dos fatores que levaram ao sucesso da obra, além da construção narrativa, foi o fato de que o autor narrou uma experiência pessoal, sua paixão pela cortesã Marie Duplessis, que como a protagonista Marguerite Gautier, amava as camélias. O livro foi lançado um ano após a morte da cortesã.

Ao fundo, Paris na bruma!

Armand Duval, um estudante de direito, de uma família respeitável, apaixona-se por Marguerite, uma mulher mantida, acostumada ao luxo e a riqueza. Um escândalo, que têm como pano de fundo uma Paris incansável, com teatros, bailes, óperas e também uma doçura vinda dos campos.

O livro toca fundo, principalmente pela elevação da alma pelo amor. Um burguês e uma cortesã. Fato corriqueiro e normal para a época. A diferença desta história está exatamente no sentimento que Duval desperta em Marguerite e na generosidade que o afeto dos dois possui. Duval sabe que não é o único, pois não pode manter os luxos da amada, que acaba dividindo a cama com velhos ricos que lhe pagam as contas.

Mas, Duval, não conseguindo sustentar essa condição por muito tempo, pois o ciúme lhe devorava a alma, convence Marguerite, durante uma temporada que estão passando no campo, ele numa hospedaria e ela numa casa alugada por um duque – que via nela a aparência da filha que perdera e por isso insistia em ajudá-la –, a ficarem finalmente juntos.

Pelas circunstancias que se desenrolam e pela linda amizade que sentiam, Marguerite aceita e ali eles realmente conseguem viver o amor. Ela se despe das riquezas e opta pela simplicidade, deixando de lado a vida de mulher mantida. Duval enaltece e respirando aliviado, desfruta dos melhores meses de sua existência. Marguerite é somente dele. Porém, é claro que os conflitos aparecem e as demonstrações de amor incondicional por parte da cortesã, ficam cada vez mais evidentes.

O livro começa contando a morte da protagonista e segue com os acontecimentos que a levaram a este final trágico. A forma com que Dumas Filho narra a história é tocante, capaz de nos transportar no tempo e nos fazer sentir um pouco deste sentimento tão puro e que é tão bem traçado no livro.

Para saber: a história ganhou os palcos de teatro de Paris em 1851. Inspirou obras como “La Traviata”, de Verdi, romances e filmes. Influenciou uma das obras de José de Alencar, “Luciola”, lançado em 1862. No cinema, a dama das camélias foi vivida por Greta Garbo, em 1937, dirigida por George Cukor. E no Brasil, foi representada pela atriz Cacilda Becker na peça levada pelo Teatro Brasileiro de Comédia, em 1951.

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Serviço:
A Dama das Camélias
Alexandre Dumas Filho
Editora Nova Alexandria
Preço de capa: R$ 25,00

 

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