26-04 2015

Hoje é dia de festa

por Cris Lavratti

Conto publicada no Natal de 2014

A cidade amanhece um tanto vazia. Mas cadê a correria de ontem, anti-ontem? A correria que bebeu o tempo todinho em um só gole? Ai que paz que se faz agora. A cidade parece fantasma. As obras pararam de tocar aquela sinfonia urbana, que arranha, que cansa.

O mercadinho do seu Zé da esquina, não abriu. Na porta um aviso. “Férias Coletivas. Voltamos em 2015.” O salão  de beleza, também, fechado. Na última semana, lembro de ver as luzes apagando depois das 23 horas. Corta o cabelo. Hidrata o cabelo. Penteia. Estica. Pinta. Tira cutícula. Passa a cera. Maratona coletiva. Agora está fechado.

Enquanto passeio com a minha cachorrinha, vivo o silêncio. Gosto desse silêncio, ele me aquece, alivia. Os últimos dia foram de turbulência, agora a quietude. Respiro essa brisa e me sinto acolhida, o dia é meu alento, sem explicação, me sinto mais amada do que nunca.

Volto para casa. Entro pela portaria. A zeladora já não está mais. Entro no elevador. Percebo que uma borboleta também adentrou, amarela, vibrante, mas ela não se desespera com o ambiente fechado. Ela pousa no meu vestido verde e vai para casa comigo. Acho que está sentindo a mesma paz e o mesmo amor inexplicável.

Vou até a sacada para ela voar e ganhar o mundo. Às vezes tenho vontade de ter asas também. Pairar por entre as nuvens, subir bem alto, ficar pertinho das estrelas, sobrevoar as montanhas, me sentir a própria brisa, sentir a leveza.

Volto pra mim. A borboleta ainda não se foi. Com cuidado mexo no vestido, para ela saber que pode ganhar o mundo. Ela resiste por alguns segundos, mas depois voa, linda e serena. Desenhando arabescos pelo céu azul. Meus olhos a seguem com agilidade e ela some na imensidão. Já eu, sinto o milagre.

Antes de entrar novamente, me deixo levar pelo perfume que vem dos apartamentos, um perfume único e que se repete nesta mesma época. O Natal tem dessas coisas! Ele tem cheiro. Amor. Harmonia. Deve ser o aniversariante que está bem pertinho de nós.

Jesus! Hoje é o teu dia e por consequência, nosso também. Dia de agradecer a vida, os milagres que acontecem diariamente que acabamos não alcançando com clareza. Dia de se voltar mais para si e compreender que nunca estamos sós. Dia de plantar amor para o semear o ano inteiro. Dia de abraços e beijos. Dia de estender a mão, de brincar e de comemorar o maior fenômeno de todos: A VIDA!

Feliz Natal!

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