Lívia, enfim, descobriu o amor

Crônica publicada em setembro/2011

Lívia tinha um amor, o maior de todos que já sentira. Sua vida se desenrolava em harmonia, altos e baixos não faziam parte do seu dia a dia. Era como num conto de fadas. As palavras, os gestos, os sentimentos eram ideais em todos os momentos. Aquele frio na barriga, o arrepio na nuca, o disparar da pulsação se misturavam com o aconchego como em uma noite de verão.

Mas com o passar dos meses, toda essa perfeição começou a se transformar em confusão. As atitudes já não eram tão gentis, e as palavras começaram a ficar amargas. Poucos eram os momentos de entrega e emoção. As brigas já faziam parte do cotidiano, e Lívia se deu conta de que aquele amor era apenas uma paixão e que toda aquela verdade não passava de uma tremenda enganação.

Resolveu então colocar um ponto final no romance e terminou tudo com aquele que um dia fora o dono de seu coração. Ela achou que a distância acabaria com qualquer sensação de ilusão. Mas percebeu que na realidade a saudade é algo de outra dimensão.

Ela sentia tanta falta daquele homem que com o tempo acabou esquecendo toda frustração. Não se deu conta de que isso acontece todos os dias, com mulheres de todas as etnias. Apagar a parte ruim e somente deixar na memória aquilo que realmente fez a diferença naquela ocasião.

De repente, como num passe de mágica, Lívia voltou a sorrir. Entendeu que até amizades sem altos e baixos só existem na ficção, e que se apaixonar, chorar, brigar, fazer as pazes, se divertir, estar presente nas horas boas ou ruins faz parte da construção de qualquer relação.

Ela sentiu que só assim iria encontrar o caminho para a evolução e resolveu seguir adiante, deixar a roda girar e acreditar que, mesmo com todo esse turbilhão, a felicidade é o destino de todos os nossos irmãos. Lívia, enfim, descobriu o amor!

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