Luar

Crônica publicada em junho/2013

Luar. Ilumina a noite escura. Mostra a verdade escondida em cada esquina. Esconde a tristeza. Clareia o sorriso. Esconde o amor e mostra a dor. Luar, não depende de ti e nem de mim, depende de cada um. Qual lado queremos enxergar?

Triste. É assim que me sinto ao ver as barbáries cometidas nas ruas. O ser humano perdeu o cerne, perdeu a vida. Nada mais sublima, é tudo o resto do resto. E o que restará disso tudo? Aqui, eu respondo: nada. Nada vai restar se o mundo continuar no sentido anti-horário. Nada vai restar, se as pessoas permanecerem na inércia mental. Todas elas, governantes e povo.

Que mundo é esse? Luar, que mundo é esse?

Meu coração parou. Minhas palavras quase não saem da boca. Mas minha cabeça está a mil, não para, não me dá trégua. É possível ir adiante? Minhas pernas estão dormentes. Meus olhos já não suportam mais estas batalhas.

Luar, mostra-me novamente o amor nos pequenos gestos. Quero voltar a acreditar na humanidade. Quero acreditar em mim. No meu próximo. Na energia suprema. Quero minha fé inabalável. Não a fé nas forças da natureza, essa, permanece intacta. Mas sim a fé nas pessoas. Essa, está terrivelmente abalada.

Uma pergunta simples me fez perder o chão, me faz cair num abismo profundo: Quem somos diante do nosso semelhante? Direitos humanos? Bolsa bandido? Bolsa isso e aquilo? O que esperar de um povo que adora mamar e não aprende a tirar o leite?

A soberba e a intransigência me assustam. Fora minúsculas exceções, a lesão é praticamente generalizada. Quem somos nós? Estamos presos à vaidade e ao ego? Sim, estamos presos às grades invisíveis que nós mesmos criamos. Miasmas plasmados na atmosfera do planeta.

Enclausuramos com ideais destorcidos, as águas e as florestas. Carmas e mais carmas de dor e revolta nos esperam logo adiante. Nosso reflexo é feio e sofrido. Nossas atitudes são destrutivas. Nossa voz emudeceu. Mas a da natureza não, ela se mostra, as águas e as florestas têm voz. Elas nos alimentam, mas também se rebelam e nos ensinam a duras penas, que sem elas, nada somos.

Quem somos nós? Que diante do nosso irmão, repito: nosso irmão, somos incapazes de estender a mão. Ele está com frio e fome, necessita tanto de um ouvido, de um abraço e de um carinho. Mas somos incapazes de perceber quem é ele, de vê-lo, seja nas ruas, nas esquinas, nos viadutos, no trabalho e dentro da nossa própria casa.

Estamos ignorantes diante de tudo! E a ignorância não tem classe social, nem cor, nem sexo, nem raça. A ignorância paira sobre o mundo já desiludido em que habitamos.

Ah, luar, eu suplico! Ilumina àqueles que fazem a diferença nesse mundo. Mostra para esse povo que as coisas podem ser diferentes, como tantos poucos já fizeram. Clareia as ideias e extingue o medo. Devolve ao coração as batidas, às pernas o movimento, aos olhos a claridade, às mãos a caridade.

Não podemos permanecer nesse estado doentio, achando que a vida se resume a tão pouco, ela se enfeita de gestos simples, não de “pouquidão”.

Luar, traz a tona o amor, de uma vez por todas, por favor!

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