O nascer de um pai

Crônica publicada no Dia dos Pais de 2014

Tem muitos textos rolando por ai, falando em como nasce uma mãe. Eu, que sou filha, fiquei a pensar como seria debulhar sobre o nascer de um pai. Pai também tem três letras, deve ser para igualar as potências. Um gera, o outro é parte, os dois são origem. A origem de toda a humanidade.

Pai, universo de incertezas, que desperta com a maior de todas as certezas, a do amor incondicional, tão forte quanto a própria vida, tão belo que zela pela vida. Pai é pureza, é força e confiança. É poder segurar firme na mão, olhar bem dentro dos olhos e ter a dimensão da liberdade de voar alto, de pairar, tendo a leveza como companhia, sem atropelos, nem julgamentos.

Lendo Perdas e Ganhos, da Lya Luft, a bruxa boa, percebo que além das mulheres e mães, os homens e pais, também tem suas culpas e questionam, principalmente, a falta de espaço, do espaço de ser pai. Mulheres, naquela voracidade de serem mães, acabam por reduzir o tempo que cabe aos homens desfrutar a beleza da paternidade. E aqui eu digo, eles levam jeito sim. No final das contas, tudo é uma questão de tempo. Perdemos um tanto dele em tentativas, que esquecemos de vivê-lo naturalmente.

O mundo se tornou artificial e o controle, aspecto intrínseco do medo, cria muros cada vez mais altos, que impedem o ato de amar. Impedem pais de serem pais e até mães de serem mães. Fica a pergunta, por que não se dar conta de que todos e cada um são na totalidade fundamentais?

O pai nasce na barriga, na primeira ecografia, na emoção de perceber que dentro da mulher amada habita um pedacinho dele. Pai nasce e renasce junto com seu bebê. Numa conexão única de lealdade e cumplicidade. Tanto quanto as mães.

Do ventre materno para os braços dos pais, a criança encontra o conforto. Como é importante que neste momento a família se unifique a quatro braços, sem pesar mais para um ou para outro. A troca é essencial para o bebê que acaba de chegar a este mundo. Ele é metade pai e metade mãe. Quando pendemos mais para um lado, acabamos por, inconscientemente, despedaçar o outro.

Pai nasce na primeira cólica, no primeiro banho, no primeiro choro, na primeira dor, no primeiro sorriso, no primeiro olhar, na primeira palavra, na primeira fralda, no primeiro tombo, na primeira descoberta. E renasce na combinação de cada uma dessas etapas que se repetem ao longo da vida de mil maneiras diferentes.

Mas acima de tudo, o pai renasce da fé no filho, de que ele vai sempre dar certo, de que ele achara seu próprio caminho, na generosidade lançada ao mundo e na gentileza do sorriso sincero. Pai é pai. Eu que sou filha, afirmo com certeza: meu pai, que hoje é uma estrela no céu, nunca deixou se estar presente, nosso amor ultrapassa mundos. Amor de pai é único.

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