O que vem depois?

Crônica publicada no portal Eu Tenho Visto

Quando penso em paixão, vem logo à cabeça a musica da Adriana Calcanhoto: “…e diga que me adora, você tem meia hora, pra mudar a minha vida….” Sim, porque a paixão é isso, tem essa urgência, essa vontade enlouquecida que nos arrebata e nos transforma no reflexo do ser amado. Desestabiliza, muitas vezes desequilibra. E ao mesmo tempo, parece que o coração quer saltar pela boca de tanto desejo de estar junto, perto, dentro. É maravilhoso estar apaixonado. Mas é tempo que passa.

Quando penso em amor, a música do Jota Quest sintoniza: “…a nossa liberdade é o que nos prende…” Amor é isso. Não tem condicionamento. Tem leveza, serenidade, equilíbrio. Amor traz paz. É livre. Mesmo longe, está perto. E quando está perto deixa espaço para sermos quem somos. Já não refletimos mais o outro e sim nós mesmos, inteiros, puros, sedutores. Amor é abrangência, é aconchego, conexão. É fechar os olhos e sentir o outro. É olhar dentro do olho e enxergar nossa essência. É sublime amar. É tempo que fica.

Mas o que vem depois do amor?

De tanto pensar e trocar palavras com o meu, descobrimos que a adoração vem depois, como na canção de Oswaldo Montenegro: “…porque metade de mim é amor. E a outra metade, também…” E percebemos como trocamos as fichas. Antes de dizer “eu te amo”, costumamos dizer “eu te adoro”. Isso quando ainda estamos apaixonados. A paixão tem disso, confunde e ludibria. Transforma sapos em príncipes. Bruxas em princesas. Até aí, tudo bem. Faz parte.

Só que adorar vai além. É a admiração que permanece. A doçura que continua. Partilhar o mesmo vinho. Conversas longas que rompem as madrugadas. Trocas de carinho. A tranquilidade da escolha certa. Adorar é essencial. É tempo que não acaba mais, nem nessa, nem em outras vidas.

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