26-04 2015

Os sentidos do verão

por Cris Lavratti

Crônica publicada em fevereiro/2015

O suor insiste em escorrer pelo canto do rosto. A boca fica sedenta por alguns goles de água gelada ou outra bebida qualquer. Quanto menos roupa melhor, algo que permita à pele transpirar. Sim, é verão em Porto Alegre.

Um calor insuportável toma conta da estação mais quente do ano. Como é possível a nós, simples mortais, conseguir sobreviver a esta combinação, eu diria, um tanto explosiva. Céu azul, chuvas raras, asfalto escaldante, somados a uma brisa morna, que quando dá uma trégua, piora.

Haja saúde!

O corpo pede socorro. É um entra e sai constante, do ar condicionado para o forno e vice versa. Acabamos por contrair todas as “ites”, sejam alérgicas ou não. Que venham os remédios para acalmar esse turbilhão e trazer um pouco de paz ao nosso nariz.

Por vezes, um banho frio resolve, principalmente quando a água do reservatório não está morna. Aí nem banho frio nós temos. Pensando bem, o gaúcho é corajoso. Com todo esse calor, ainda insiste nas tradições e mete um chimarrão todas as manhãs ou finais de tarde.

Água quente, dia quente, ar condicionado gelado. Será o certo? Eu não sei, mas os costumes costumam vencer esta parada. Isso me fez lembrar da macrobiótica, que sugere bebermos sempre o que está na temperatura do nosso corpo. Ah, isso fazemos com maestria. Gaúchos são macrobióticos por natureza.

Por outro lado, apesar de todas as sensações incômodas que o verão oferece, ele traz vida aos nossos dias. Acordar cedo não fica tão difícil, tomar banho muito menos – não precisamos fazer aquele ritual dos dias congelantes. Partir para um Happy Hour é uma delícia. E o bom humor, impera.

As pessoas ficam mais dóceis no verão. O vizinho dá bom dia, o chefe mostra os dentes em sorrisos durante o expediente, os animais de estimação ficam mais tempo passeando pelas ruas, os parques lotam e as crianças brincam leves e soltas.

Eu costumo dizer que tudo nesse mundo tem mais de um lado. Nem tão ao céu, nem tão a terra. O verão traz a seca, mas também a alegria. É uma época, aqui no hemisfério sul, de renovação. O findar de um ano abre alas para que o outro surja cheio de possibilidades na nossa frente.

É uma época de fazer planos, de colocar metas, de dar um novo gás na vida que se leva. Ficamos mais próximos da família, daqueles primos e tios distantes. Ficamos mais próximos dos amigos, marcamos viagens de final de semana e voltas pelo mundo afora. E com certeza, mesmo com aquele suor escorrendo no canto do rosto, afirmo de carteirinha, somos muito mais felizes nesta estação do ano.

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