Papo de casal

Crônica publicada em novembro/2014

Esses dias, estava jantando em um restaurante e quando meu marido foi ao toalete, o papo da mesa ao lado me fisgou. Eram dois casais conversando sobre as demonstrações de afeto. Um dos rapazes, que se dizia ser o mais frio, afirmou: “isso tem a ver com tipo de educação”. Ele disse com todas as letras “lá em casa a gente se ama muito, não somos de falar, mal nos abraçamos, mas sabemos que somos importantes um pro outro, por isso eu tenho essa dificuldade em ser romântico”.

A namorada ao lado balançava a cabeça e confirmava o aval do amado, não muito satisfeita. E ele completou: “ao contrário da casa dela, onde todos dizem o que sentem o tempo todo, se abraçam e se beijam.” Ela sorriu, novamente balançando a cabeça e não chegou a exprimir uma opinião sobre o assunto, deixou as vezes para o casal que os acompanhava. Nessa hora, meu marido voltou para mesa e eu me desliguei do papo, mas minha cabeça ficou fervilhando.

Pensei, será mesmo que isso é coisa de criação, educação? Ok, pode até influenciar, mas somos seres únicos, também nascemos com as nossas vontades e desejos. Por exemplo, em uma família extrovertida, pode ter um cara mais fechado, tímido e vice-versa. Neste caso, o meio não influenciou o vivente pela perpetuação da expressividade lunar.

O meio pode até impor alguns comportamentos, mas só nos adaptamos a eles por completo, se a nossa essência se iguala, caso contrário, levamos dele, somente alguns objetos na bagagem, o resto é aquilo que somos e pronto.

Deu vontade de falar ao cidadão o meu ponto de vista, mas como o papo não era comigo, me contive. A namorada que me pareceu adepta às demonstrações de afeto terá que se contentar com o mármore. Mas vale lembrar, que nem sempre aquele que demonstra mais é o que mais ama. O amor não se mede pelas palavras e carícias em público, na verdade o amor não tem uma medida, somos capazes de perceber sua intensidade, através somente, de um olhar, daqueles de tirar o fôlego.

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