26-04 2015

Que tal inverter as coisas?

por Cris Lavratti

Crônica publicada em agosto/2014

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou…” já cantou Cássia Eller. E ela tinha toda a razão. O mundo está contrariado, vemos isso nas pessoas, nas atitudes, nas palavras. Quando nos prontificamos a ajudar alguém, seja no que for, assumimos um compromisso. Esperamos que o outro também assuma, mas assumimos o risco. Sabemos disso ou deveríamos saber. A generosidade não escolhe razão, quem é, é e pronto.

Esta semana aconteceu algo que me fez parar para pensar em tudo isso. O mundo está do avesso e o primeiro sintoma é quando começamos a desconfiar das pessoas. A desconfiança, assim como o julgamento, não deveria fazer parte do dia a dia da humanidade. Mas infelizmente, acabamos sendo contagiados com tanta coisa ruim o tempo todo e acreditar e confiar parece impossível. Mas eu digo, se entrarmos nessa, como conseguiremos viver numa boa. Eu acredito num mundo melhor, logo atitudes como essa não podem e não devem partir de mim.

Mas atenção, isso começa em casa, na família, com o marido, com os filhos, com os pais, os pais dos pais, os parentes, os amigos e vai até os desconhecidos. Ouso dizer que os inimigos entram nessa também, vamos mandar boas vibrações para eles e claro, romper o ciclo da negatividade. É sim um exercício de perdão.

Ajudar o outro passa por diversos momentos, tem aqueles que necessitam ser ouvidos, aqueles que necessitam ouvir, tem uns que precisam da parceria do silêncio, sabe como é, estar ao lado sem falar nada, outros precisam da solitude. E tem ainda, os que precisam de um abraço, um aconchego. Se sentir amado e amar. O amor não cobra. Ele é a única janela para a cura.

Podemos ajudar com um prato de comida, com um cobertor em uma noite fria, uma sopa bem quentinha, mas principalmente com um olho no olho, firme, fazendo que o outro perceba que tem alguém em quem confiar.

A generosidade tem mil formas de agir. Passar a noite em claro cuidando de um amigo doente, de um filho ou de um pai. Sorrir para um desconhecido, segurar o elevador para aquele senhor idoso que vem lentamente pelo corredor, ceder o lugar no trânsito, dar bom dia ao acaso para quem passa pela rua, juntar o coco do seu cachorro, fazer um carinho no companheiro antes de sair da cama, dizer que o ama, esperar o pedestre atravessar a rua, encher a casa de flores, presentear com flores, dividir o bife à milanesa, fazer cafuné enquanto assiste um filme na tv, falar baixo ao telefone quando estiver em um lugar público, quando encontrar um amigo dar aquele abraço apertado, dizer o que sente independente de data, tratar o garçom com educação, tratar as pessoas com educação, usar o cinto de segurança, dar boas risadas, ser disponível, ser ponte, ser meio de conexão, brincar com seu bichinho de estimação e por aí vai, a lista pode ser grande.

Então, eu te faço um convite, nesse momento vamos nos libertar de tudo que pesa, que atrasa, que rompe, que machuca e vamos dar o primeiro passo para que este mundo que tanto sonhamos seja real. Vamos inverter as coisas, ao invés de contrariado, vamos ter um mundo divertido, diversificado e verdadeiro. A vida é espelho sim, que tal refletir coisa boa, que tal ser essa coisa boa? Sem nos vitimar ou boicotar, vamos viver essa liberdade com toda a nossa alma. Li uma frase linda esses dias, da Livia Garcia Roza, e acho que ela é perfeita para este momento: “O anjo juntou as penas que sentia de si, e fez novas asas”.

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