26-04 2015

Será que a palavra esvazia, mesmo?

por Cris Lavratti

Crônica publicada em maio/2014

Sabe quando bate aquele sentimento do tipo: O que estou fazendo aqui? É exatamente assim que estou me sentindo. Parece que as cartas embaralharam de uma forma que fica difícil fechar uma trinca. Santo Protetor dos Baralhos da Vida, concede-me uma ajudinha divina. Amém.

Sim, escrever é uma forma de desabafar e colocar as ideias no lugar. Dizem por aí que o melhor jeito de construir algo que valha a pena é desconstruir o que está incomodando. Mas como fazemos isso? Existe fórmula? Eu não sei, mas acredito que a primeira coisa é tirar o foco do problema. Olhar para o outro lado. Observar a vida que corre lá fora. Respirar ar puro, movimentar o corpo e esvaziar a cabeça.

Se tá complicado seguir por um caminho, desvia as atenções dele e “plim” a solução aparece. É mágica mesmo. Todas as vezes que me peguei afundada em algum momento complicado da vida, sem saber para onde ir, sem achar respostas, só encontrei o norte quando mudei o rumo. É simples e sem erro.

Difícil é conseguir transcender, sair do tumulto do pensamento, virar a esquina, abraçar a vida que sussurra do lado de lá. Eu sei. Nós mesmos nos boicotamos, nos escondemos por trás de um muro de lamentações. Optamos por falar e falar e falar sobre o que nos pesa, acreditando que após os inúmeros desafogos conseguiremos nos livrar do mal que aflige nossos pensamentos.

Mas não, não basta exteriorizar a pílula, precisamos digeri-la e para alcançar esta benção, só com a imensidão do firmamento, com a maresia, com a chuva, com a floresta. Voltar nossa atenção para o que de fato nos trará a luz e a clareza. E que assim seja!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *