Um basta ao país da copa

Crônica publicada em dezembro/2013

O ano está chegando ao fim. Mas a violência não. A tirania não. A corrupção não. Até quando o ser humano continuará sendo este poço de estupidez? Até quando os melindres, o ódio e a raiva farão parte de cada segundo que permeia a nossa vida? Está tudo errado! Está tudo ao contrário! Somos idiotas? Palhaços? Vítimas e algozes? O que somos afinal? Lobos? (Que me desculpem os lobos).

Violência no dicionário: – s.f. Qualidade ou caráter de violento. Ação violenta: cometer violências. Ato ou efeito de violentar. Opressão, tirania, regime de violência. Direito: Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém.

Físico ou moral. Entenderam?

A violência das palavras pode ser fugaz, insalubre. Ela reduz o ser humano a nada. Ela tira a dignidade, humilha e é tomada de preconceitos. A violência física é cruel. Agredir o outro, espancar, violentar, se comprazer com a maldade do ato em si é aterrorizante. Ambas são perigosas demais. Ambas desrespeitam a lei de amor mais antiga de todas, não fazer ao outro aquilo que não queremos que façam a nós.

Esta invasão de espaços e falta de princípios me assusta. Um ano novo está para começar, mas as pessoas continuam cometendo os mesmos erros, as mesmas penas e a ignorância reina suprema no nosso planeta. O ano começou com violência e vai terminar do mesmo jeito.

Mais uma vez o futebol é o coadjuvante de histórias tristes e absurdas. Mais uma vez, o sangue jorra da telinha e respinga em nossos olhos e corações. É impressionante a falta de caráter, cuidado e amor. Será que é tão difícil olhar para uma pessoa e perceber que ali existe alguém também? Estou cansada! É exaustivo.

Humanidade? Esta é a palavra certa? Sejamos mais humanos! É isso mesmo? Humanos? Acredito que não! Sejamos mais elevados que isto. A humanidade está contaminada e me constrange. Talvez precisemos ser mais espiritualizados. O humano está muito sujo e medíocre. Precisamos restabelecer os laços com o espiritual, unir coração e mente. Agir com a alma. Flutuar na paz e dar um basta nesta guerra urbana, nesta guerra a dois, a três… Uma guerra inglória que começa muitas vezes dentro de casa, na família, e vai ganhando adeptos numa velocidade colossal.

Se as pessoas não tem capacidade para se unir e torcer por um time de futebol. Que seja vetado! A infantilidade de grande parte dos brasileiros exige limite e pronto. Não sabe, não brinca. Simples assim. Até aprender, até tomar gosto pelas coisas boas.

O “país da copa” já começou fracassado. A fraqueza moral do povo é a pior de todas. Ganhar na copa pra quê? Vamos ganhar na vida! Ganhar liberdade! Escolher melhor nossos governantes. Ganhar na saúde, na educação e no amor. Antes de sermos o “país da copa” precisamos ser um país de verdade, sem mentiras, sem entremeios. O Brasil precisa primeiro de dignidade. Toda a violência é inútil.

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